O Cadastro Nacional de Adoção deve ser alimentado com os perfis das crianças já aptas para adoção, ou seja, crianças já destituídas do poder familiar, e dos habilitados à adotar.
Assim, crianças e adolescentes que não tenham ainda sido destituídos não constarão do CNA como aptas à adoção.


Muitos juízes entendem que não deve ser concretizada a destituição do poder familiar de crianças e adolescentes sem que existam pretendentes à sua adoção. Por este entendimento estas crianças e adolescentes não chegam a constar do CNA, já que as destituições só são movidas ou finalizadas após encontrarem-se adotantes para eles.
Não raro os habilitandos (aqueles em processo judicial de habilitação para poderem adotar uma criança ou adolescente) habilitam-se para perfis bem restritos, muito próximos de "menina, branca, saudável, até 1 ano, sem irmãos".
Com o passar do tempo e o amadurecimento do desejo de adotar este perfil vai sendo alterado dentro da mente e corações dos habilitados. Todavia, a grande maioria não providencia junto ás suas varas de habilitação a alteração correspondente do seu perfil.
Assim o CNA continua alimentado com um perfil que não é mais aquele realmente almejado pelos futuros adotantes. Sem ter ciência da alteração deste perfil, as varas não localizam adotantes para crianças que caberiam naqueles perfis de fato já modificados.
O terceiro ponto importante para compreensão do que seria a busca ativa está na necessidade de auxílio da sociedade como um todo para dar efetividade à garantia constitucional ao direito de toda criança e adolescente viver em família.
A busca ativa se presta ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE para auxiliar na busca por adotantes PREVIA E REGULARMENTE HABILITADOS para crianças e adolescentes denominados "de difícil colocação". São eles grupos de irmãos que não devam ser separados, crianças acima de 5 anos, com deficiências físicas e/ou mentais.
Diante desses três elementos temos que a busca ativa é o auxílio legítimo e constitucionalmente autorizado prestado pela sociedade civil ao Estado na busca e localização de habilitados à adoção para crianças e adolescentes fora do perfil mais pretendidos por aqueles, quais sejam, maiores de 5 anos, grupos de irmãos inseparáveis, crianças e adolescentes com deficiências físicas e/ou mentais.
A busca ativa se constitui SEMPRE em voluntariado não remunerado e jamais em atividade que implique em qualquer tipo de retribuição ou contrapartida, consistente no auxílio prestado pela sociedade civil aos órgãos públicos competentes, incumbidos da efetivação do direito à convivência familiar e comunitária de crianças e adolescentes, na busca por adotantes previamente habilitados para aqueles que, por seu perfil, encontre-se dificuldade para colocação em família adotiva.
Importante se enfatizar que cobrar, solicitar ou mesmo aceitar vantagem de qualquer natureza em retribuição pela prática de busca ativa não só a desnatura como pode se constituir em prática de crime de tráfico de pessoas.
Assim os grupos de apoio à adoção são ótimos auxiliares dos Poderes Públicos na busca ativa, já que são eles, de regra, os únicos a terem contato direto com os habilitandos e habilitados e conhecedores das alterações de perfis não comunicadas às comarcas de habilitação.
As equipes técnicas das varas da infância e juventude, cientes desta realidade, não raro e cada vez mais, buscam auxílio dos grupos de apoio à adoção nos quais tenham confiança na seriedade de sua atuação na localização de adotantes para suas crianças de difícil colocação, não raro ainda não destituídas ou em processo de destituição do poder familiar.
O trâmite desta busca ativa deve pressupor a solicitação de auxílio pela equipe técnica e finalização pelo repasse para ela dos dados dos habilitados que demonstrem interesse e maturidade para uma adoção necessária.
Aqueles que militam na busca ativa não devem participar sob qualquer argumento ou justificativa dos trâmites legais que viabilizem ou não a futura guarda e adoção. Sua participação deve se restringir ao cruzamento dos dados dos habilitados de que tenha conhecimento com o perfil da criança para a qual a equipe técnica tenha solicitado indicação e, localizado pretendentes, repasse dos dados à comarca.
Os grupos, a partir deste ponto, devem restringir sua atuação no apoio psicológico e jurídico dos habilitados indicados que sejam seus membros.
Esta é a VERDADEIRA, ÉTICA E LEGAL E CONSTITUCIONALMENTE AUTORIZADA busca ativa. Tudo o mais pode se configurar em crime contra a criança e adolescente, punível pelo Estado com privação da liberdade e multa.