VARA DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE DO DISTRITO FEDERAL,

Adotar é um desafio porque relacionar-se é sempre um desafio. Temos que acolher, aceitar o outro em sua integridade, com sua beleza e originalidade, mas, também com suas dificuldades e limitações. Esse amor incondicional, alguns dizem que só mesmo Deus é capaz de dar. A maioria de nós mortais tem dificuldade para amar incondicionalmente, sem medo e sem exigências.

 

Adotar uma criança maior, muitas vezes se reveste de uma complexidade ou desafio maior porque nos relacionamos com alguém que não foi por nós “criado”, “moldado”, como se acredita que os filhos são ou devem ser pelos pais. Entretanto, nos esquecemos que na maior parte das nossas relações pela vida com os colegas de escola ou trabalho, namorado (a), marido ou esposa, relacionamos com outros “moldados” e “criados” por outros. E nem por isso essas relações são menos prazerosas ou significativas. O diferente, muitas vezes, assusta, mas, sempre nos enriquece. 

Construir um vínculo de filiação exige esforço, dedicação, trabalho e sobretudo tempo. Adotar uma criança maior às vezes pode ser parecido com casar com uma pessoa após um breve namoro, você estava apaixonado e achava que seriam “felizes para sempre”, mas na convivência diária descobre que não a conhecia direito, suas características pessoais, suas “manias”, seus “defeitos”. Essa situação pode levar ao divórcio, mas se o casal investe na relação com amor e ambos procuram superar suas divergências, o vínculo se fortalece. Na adoção também é necessário esse investimento e a solução do divórcio não existe, pois a adoção é irrevogável. Por esta razão, o estágio de convivência é tão importante e não deve ser apressado, pois é nele que ambos, adotantes e adotandos, devem se conhecer, é nele que devem surgir as dificuldades e sondadas as possibilidades e os desafios que aquela adoção implica. Os adotantes devem se questionar se realmente querem e estão dispostos a enfrentar os percalços que certamente existirão. O acompanhamento do estágio de convivência por profissional capacitado também se reveste de grande importância na formação e consolidação do vínculo pais-criança.

A bibliografia e a experiência prática mostram que cada caso de adoção tem uma trajetória única e singular, ou seja, cada caso é um caso. Contudo, observamos certas características regulares, que se repetem nos diferentes casos, em especial naqueles de adoção de crianças maiores, e vale a pena alertamos a família adotante sobre essas ocorrências de forma a preveni-las ou minimizar seus efeitos destrutivos durante o estágio de convivência. E não podemos nos esquecer que, seja biológico, adotivo ou por afinidade, cada vez que um membro novo é inserido em uma família, instala-se uma situação de crise. Crise com todo o seu potencial destrutivo de risco (perigo), mas também de oportunidade e crescimento/evolução.

SÃO CARACTERÍSTICAS DO PERÍODO DENOMINADO ESTÁGIO DE CONVIVÊNCIA:

1. Surgimento de comportamentos regressivos na criança - que variam tanto na forma de expressão como na intensidade e são típicos de fases anteriores de desenvolvimento psicológico infantil como p.ex.: fazer xixi na cama ou nas roupas (mesmo que ela não tenha mais idade para esse tipo de comportamento e/ou não faça mais isso no Abrigo), querer usar fraldas e/ou mamadeiras, querer entrar dentro da barriga da mãe adotiva ou mamar em seu peito. Acredita-se que esta fase também ocorra em crianças maiores como uma tentativa de resgatar seu desenvolvimento incompleto ou interrompido e reconstruir um novo “eu” a partir da relação com a nova mãe e/ou novo pai (adotivos). È como se a criança retornasse ao estado imaginário de recém-nascido e quisesse viver uma espécie de segundo nascimento. Este “retorno” funciona como um resgate de fases importantes do desenvolvimento infantil que podem ser melhor vividas junto aos novos pais. É importante que os adotantes observem e vejam a criança buscando “renascer” deles. O contato corporal, pele com pele, os cuidados prestados pelos pais à criança nesta fase são essenciais e gratificantes. Recomenda-se também a prática da Shantala (massagem) que promove esse contato corporal, relaxa tensões e estabelece um vínculo com o adotante;

2. Agressividade, em geral, logo após a fase de encantamento mútuo. A eclosão de comportamentos agressivos, violência física e/ou verbal - muitas vezes, gratuita ou sem aparente correlação com fatos concretos - deixa os adotantes frustrados e desconcertados sem saber o que fazer com a criança e sem saber o que fizeram para merecer tal tratamento. É importante lembrar que no abrigo, muitas vezes, as crianças adquirem comportamentos violentos para se defender. Ajuda muito quando a família adotante estabelece claramente as regras familiares, os limites e as figuras de autoridade. É fundamental para o enfrentamento desta fase, que os adotantes tenham paciência, firmeza e entendam estas “explosões emocionais” como uma necessidade da criança de ser contida emocionalmente pelos “novos pais”. Ela não sabe lidar com os sentimentos contraditórios que experimenta e os expressa de forma destrutiva. Muitas vezes, a criança adotada deixou tias queridas, amigos ou irmãos no abrigo e ainda não elaborou tais perdas; é comum que ela enfrente situações novas o tempo todo na escola e no lar em que lhe são exigidos determinadas atitudes e comportamentos; não raro a criança fantasia que a família adotiva será permissiva, atenderá todas as suas vontades e ao se deparar com a realidade tem dificuldades para aceitar os limites e as regras da casa. Os pais adotivos tem que ser “continentes”, tem que ajudá-las a compreender, a dar sentido e significados para estas expressões de sentimentos de forma mais construtiva. Alguns autores relacionam a capacidade da criança para estabelecer novos vínculos com a possibilidade de expressão e atendimento pelos pais adotivos de suas necessidades emocionais mais primitivas. É fundamental em alguns casos que a criança e a família recebam um acompanhamento psicoterapêutico especializado de forma a ajudá-las a vivenciar esta fase de forma mais construtiva e menos desgastante;

3. Agressividade em particular contra a mãe adotiva – é comum a mãe adotiva ser o alvo preferencial dos ataques da criança. A figura materna em nossa sociedade é carregada de simbolismo, por vezes, a criança cola o “fantasma da genitora” na mãe adotiva, desferindo contra esta última todos os ataques dirigidos à primeira. Não foi a mãe adotiva que a abandonou ou entregou, mas a criança parece agir com a nova mãe como se ela tivesse feito isso. O temor de um novo abandono desencadeia atitudes hostis contra os pais adotivos, em especial contra a mãe, como forma de se proteger de mais uma frustração.

4. Ritmo acelerado de desenvolvimento global da criança – aspecto gratificante para a família adotante, uma vez que percebe a evolução rápida da criança como fruto de sua atenção e investimento. O ambiente familiar oferece novos modelos e a criança aprende tudo muito rápido, cresce, ganha peso. Apesar de, muitas vezes, regredida emocionalmente, a criança demonstra uma necessidade muito intensa de aprender. Segundo Vargas, “quando a criança alcança no novo ambiente familiar, a satisfação de suas necessidades fundamentais para reconstruir sua trajetória a partir dos novos modelos, ela, rapidamente, pode evoluir para estágios posteriores.” As novas aquisições confirmam seu valor pessoal e são uma forma de atender as expectativas familiares e garantem a ela a

5. Enfrentamento do preconceito social– É comum, os adotantes relatarem que pessoas próximas se afastaram da família em virtude da chegada do novo membro. Também é frequente os adotantes ouvirem de familiares ou amigos frases do tipo “Para quê foi adotar e ainda por cima uma criança assim tão grande”. Viver e ouvir estas coisas não são fáceis e coloca em dúvida, muitas vezes, os pais adotivos por vezes ainda inseguros e pouco confiantes quanto a sua capacidade para o desempenho dos papéis de pai e mãe. Tais comentários reacendem ansiedades e medos dos pais adotivos sobre “uma possível hereditariedade patológica” ou de que a criança não possa ser capaz de se recuperar das “feridas do passado”, independentemente do amor, cuidado e da educação oferecidos. Os grupos de Apoio à Adoção e o acompanhamento do profissional da Vara da Infância e da Juventude auxiliam os adotantes a se fortalecerem para enfrentar o preconceito social que ainda é muito grande em relação

6. Esforço significativo da criança para se identificar com os novos modelos parentais - A criança procura imitar os novos pai, mãe, irmão(s) – ‘olha... sou igual a você”. Ela busca estabelecer laços significativos com a nova família, quer se parecer com o pai, com a mãe, com o irmão. Aliás este é um empreendimento mútuo, adotantes e adotados percebem semelhanças, às vezes, até mesmo físicas. É a busca de “uma pele comum”, um laço que represente a união familiar e a inserção do adotivo como filho(a) - ainda que tal esforço se alterne com as explosões agressivas nas quais a criança diz “você não é meu pai /não é minha mãe”;

7. Construção do vínculo de filiação com atropelamento de etapas – No imaginário da nossa cultura, o tipo de vínculo entre pais e filhos deveria ser aquele que nem o tempo, nem a distância, nem as dificuldades seriam capazes de destruir. Contudo, nem sempre isso acontece. O vínculo de sangue não produz necessariamente o vínculo afetivo e a filiação pode se dar independentemente do primeiro, pois está mais relacionada à disponibilidade e a dedicação do pai/mãe pelo filho(a) do que pela biologia compartilhada. Um vínculo forte, um laço como esse também não se constrói do dia para noite, inclusive entre pais e filhos biológicos. É necessário investimento afetivo, paciência, renúncia, dedicação para se construir uma relação de pai-filho. Pais e filhos negociam suas diferenças diariamente e a cada etapa e nova fase de vida (1a e 2a infância, adolescência, juventude, etc). Dá trabalho educar, não pense que é diferente nas famílias com laços biológicos. Na adoção tardia, o que ocorre é que muitas vezes os problemas surgem e/ou se intensificam enquanto o vínculo entre pais e filhos ainda se encontra bastante vulnerável, em construção. Somam-se as dúvidas e incertezas de ser pai e mãe às dificuldades iniciais de adaptação e o pouco conhecimento mútuo. Para a criança também não é fácil, ela vem de um ambiente e uma socialização totalmente diferente e, muitas vezes, não elaborou suficientemente a dor de ter sido abandonada, abusada e/ou entregue para adoção. Estes processos todos ocorrem conjuntamente e nem sempre é fácil ou indolor passar por eles. Mas lembre-se a cada etapa superada, o vínculo será mais forte e gratificante.

8. O vínculo de filiação pode se dar de forma diferenciada – Cada pessoa ama e expressa seu amor de forma diferente. È normal e natural que existam diferenças na relação entre pai e filho, mãe e filho, pai e filha, mãe e filha, inclusive, ditadas pela cultura ou tradição. Também existem diferenças na relação do mesmo pai e da mesma mãe com filhos diferentes. Isso ocorre em todas as famílias e na adoção também. Pode ocorrer um descompasso entre o grau de vinculação de um dos pais com a criança, por exemplo: uma vinculação maior entre o pai e filho(a) do que entre a mãe e o filho(a). Este descompasso pode ocorrer também com uma criança em relação à outra, nos casos de grupos de irmãos. É comum, quando se trata de adoção de irmãos, que o vínculo pais-filhos ocorra mais rapidamente com as crianças menores que normalmente centralizam mais a atenção e mostram-se mais dependentes dos adotantes. Essa situação gera, muitas vezes, sentimentos de culpa e dúvidas em relação à adoção da criança mais velha. Esse descompasso e essas diferenças não devem ser negadas, mas, precisam ser trabalhadas a fim de evitar o agravamento das dificuldades. É comum também que o vínculo se constitua mais rapidamente e se fortaleça quando os envolvidos têm mais facilidade para expressar afeto e carinho. Muitas pessoas e crianças não aprenderam a manifestar adequadamente suas emoções e sentimentos. Dar carinho também é um aprendizado mútuo. Uma criança pode rejeitar um abraço, um beijo, por muitas razões, porque ainda não reconhece aquela experiência como gratificante, porque tem medo, porque tem vergonha, porque não quer se arriscar. É importante reconhecer as emoções e sentimentos envolvidos, ter paciência e, às vezes, entender que naquele momento ainda não é possível para seu filho(a) manifestar carinho. O pai e a mãe devem estar disponíveis para atender suficientemente as necessidades afetivas e emocionais de um filho(a), contudo, é fundamental saber que não somos capazes de atendê-las todas e inteiramente.

9. Aquisição de novos hábitos – a criança é inserida em outro grupo (familiar, social, cultural) com hábitos e valores diferentes daqueles do grupo anterior no qual se encontrava. Todos sabemos como é difícil - e leva tempo - modificar costumes e hábitos. Muitas vezes, novos hábitos (de higiene, de alimentação, de estudo), novos sabores, novas experiências precisam ser assimiladas, mas, sobretudo é preciso “dar um tempo” para que a criança se abra às novas experiências e as assimile. Em períodos tensos e confusos, muitas vezes somos atraídos para as regularidades, para aquilo que é familiar e conhecido. Assim como a criança precisa ver o mundo com os olhos da nova família, essa nova família também precisa vê-lo pelos olhos da criança. Trocar de lugar com a criança pode ser uma brincadeira gostosa em que pai, mãe, filho (a) experimentem novas sensações e possam se

10. Aquisição de novos hábitos alimentares – É comum o relato de que no início a criança não tem medida para comer, ingerindo muito alimento a cada refeição, como se a comida fosse acabar ou ela quisesse comer tudo sozinha. É normal também que após a fase inicial de deslumbramento e mais segura da aceitação dos novos pais, a criança passe a recusar ou selecionar alimentos. Em geral, este é um ponto de estresse entre a criança e os novos pais – e é muito desgastante “lutar” com a criança a cada refeição. Alguns lembretes para os pais fazem-se necessários: a criança aprende muito mais por imitação do que por “conselhos”, então, se você quer que seu filho(a) tenha uma alimentação saudável que inclua frutas, verduras, legumes e folhas, você também tem que comê-las. Estimule o paladar do seu filho(a) com alimentos variados, prove-os, enfeite-os. Faça uma competição de sabores com alimentos amargos, azedos, doces, salgados, experimente com seu filho(a), faça ele(a) perceber qual parte da língua sente aquele sabor. Diga-lhe que estas partes precisam ser estimuladas, para ele (a) sentir melhor o sabor dos alimentos, até mesmo daqueles que ele ou ela já gosta. O desenho animado “Ratatuille” (a história do ratinho cozinheiro) é uma boa dica para curtir em família. Use o bom senso, certos alimentos podem ser substituídos por outros, caso a criança apresente intolerância ou repulsas significativas. Se tiver dúvidas peça

11. A criança constrói um novo “eu” – a criança fantasia seu romance familiar, ora idealiza pais que irão resgatá-las das situações percebidas como negativas na família adotiva. Ora fantasia que os pais adotivos eram mesmo seus pais biológicos, negando sua história de abandono e abrigamento. Tais fantasias embora muitas vezes totalmente contrárias à realidade dos fatos são importantes no processo de reconstrução do ego da criança. O confronto destas fantasias com a realidade é inevitável e a capacidade da família adotante para compreender e ajudar a criança neste processo fundamental. A criança também passa a apresentar sentimentos onipotentes de invulnerabilidade, identifica-se com super-heróis, manifestações que objetivam uma imagem positiva e valorizada de si mesma. Tais fantasias ajudam a criança a se sentir poderosa, valiosa.

12. Sentimentos de vulnerabilidade, impotência e culpa – Os pais adotivos tendem a sentirem que têm que ser pais perfeitos. Tais sentimentos são exacerbados durante o estudo psicossocial de inscrição e adoção, pois, os adotantes sentem que têm de provar sua capacidade para o exercício do papel de pai e de mãe, antes mesmo da concretização da adoção. Muitas vezes, e em especial durante as manifestações agressivas e regredidas da criança, os adotantes se confrontam com seu fracasso pessoal na tarefa de educar. É comum que os adotantes experimentem sentimentos contraditórios, ora de raiva, ora de culpa ou gratidão em relação à criança e sua

13. Mobilização de emoções intensas e carregadas de ambivalência – Tanto os adotantes como a criança adotada experimentam tais emoções. É importante que os adotantes lembrem que são adultos e têm mais recursos para lidar com as emoções do que as crianças. É importante que os adotantes possam desenvolver relações afetivas de qualidade apesar das condições críticas da fase de adaptação. Eles não devem se esquecer de que os vínculos parentais podem sim ser construídos tardiamente, mas não surgem automaticamente e dependem do quanto são nutridos. Ambos, pais e criança, investem nestes vínculos, mas são os pais que detém a maior parcela de

14. A criança se mostra “imatura” para determinadas coisas e “muito avançada” para outras – Por vezes, uma criança vivenciou situações em sua história de vida que aceleraram a maturidade em certas áreas em detrimento de outras e/ou de seu próprio processo de desenvolvimento emocional. Por exemplo: uma criança pode não ser capaz de distinguir cores, sabores ou letras, mas, ter um conhecimento sexual além de sua maturidade biopsicossexual. Para algumas crianças é necessário ensinar com afeto quais demonstrações de carinho são aceitáveis entre pais e filhos ou entre irmãos e quais não o são. Procurar compreendê-la e a sua história são fundamentais. É preciso cuidado para não culpabilizá-la por situações as quais ela não poderia ter evitado em virtude de seu baixo grau de autonomia e maturidade. A construção do vínculo e de uma relação saudável entre pais e filhos depende muito mais dos fatores ligados à convivência, à interação, ao afeto e respeito mútuos do que aos laços biológicos que por si só não garantem o vínculo. Estabelecer este vínculo e consolidá-lo é uma conquista mútua diária com momentos muito prazerosos e outros não tanto. Não existe fórmula secreta ou receita de bolo. É fundamental manter a esperança e a perseverança no ligar, no cuidar, mesmo nos momentos agudos de crise. Nunca se está inteiramente preparado, nem nunca se está totalmente pronto. É muito bom contar com o apoio de amigos e familiares, quando isso é possível. Compartilhar experiências em grupos de ajuda, de apoio à adoção, procurar ajuda especializada e profissional, fazer leituras sobre o tema também são recursos disponíveis para

Quem sabe ajuda, nos momentos mais difíceis, assumir a postura proposta por Fernando Pessoa em “Vida”:

De tudo ficaram três coisas
A certeza de que estamos sempre recomeçando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
Portanto devemos fazer da interrupção um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro...”


Bibliografia
Vargas, Marlizete. (1998) Adoção tardia: da família sonhada à família possível. São Paulo: Casa do Psicólogo

Eldridge, Sherrie (2004) Vinte coisas que filhos adotados gostariam que seus pais adotivos soubessem. São Paulo: Globo.