Nos últimos meses recebemos alguns pedidos de informações sobre como adotar crianças da Síria. Este texto é para essas pessoas, para entender o que é adoção, como adotar de países estrangeiros e porque talvez isso não seja uma boa opção.

O desejo de adotar essas crianças talvez venha das imagens que aparecem de crianças em campos de refugiados, aquelas que são chutadas por guardas de fronteiras ou as que morreram nas travessias. São imagens fortes, de um mundo ruim.

 

Mas além da Síria existem muitos outros países onde crianças estão sofrendo. A fome ainda atravessa toda a África e há conflitos em muitos lugares, da Faixa de Gaza a Ucrânia, passando por Nigéria, Índia, Afeganistão, Iraque Paquistão. Mas sofrimento e desamparo não estão assim tão longe. México e Colômbia travam guerras internas contra traficantes que podem ser classificadas como guerras civis. Em todos os casos, as crianças são as primeiras vítimas. Existe até uma página sobre conflitos em andamento: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_conflitos_em_curso.

Mas antes de procurar os telefones das embaixadas, vamos falar um pouco sobre adoção. Afinal, este foi o motivo original das cartas que recebemos: adoção.

Adotar é formar uma família, ou colocar mais uma pessoa dentro da família. Quem pensa em adoção deve pensar em algo duradouro, demorado. A dor sentida pelas imagens dos campos de refugiados precisa ser substituída por um sentimento de maternidade ou paternidade. Não se trata de salvar uma criança, trata se de cuidar dela. Ser responsável pela escola e o dever de casa. Assumir as despesas de roupa, médico, curso de inglês, fonoaudiólogas e tudo mais que aparecer. É mandar arrumar a cama e saber que vai ter que mandar de novo. É rotina cansativa, repetitiva. Não é um menino grato porque foi salvo da guerra, não. É um menino respondão porque perdeu um celular caro e não vai ganhar outro.

A comoção das imagens dura dias, talvez uma semana. Adoção é para toda a vida. Não pensem em crianças que se tornam adultos e cuidando das próprias vidas, porque mesmo adultos, vocês serão responsáveis e estarão ligados de alguma forma.

Adoção não é um ato heroico, um salvamento no meio de uma guerra. Adoção é responsabilidade, rotina e compromisso. Um compromisso que se estende por toda vida. Quando encontrar com amigos, você não irá falar sobre como escapar da guerra. Seu assunto será mensalidade escolar, notas e professores particulares.

Olhando pelo lado das crianças, adoção talvez não seja a melhor opção, é o que nos diz Susan Cox, vice-presidente de política e assuntos externos no Holt International, uma agência de adoção com base em Eugene, Oregon. "Sempre que uma crise acontece - como o terremoto no Haiti em 2010 e do tsunami no Oceano Índico em 2004 - muitas pessoas acreditam que a adoção deve ser a melhor solução, quando na verdade a prioridade é reaproximar as crianças com suas famílias e sua comunidade”. "Quando há tanta turbulência em um país, as crianças podem ser separados dos pais, mas isso não significa que estas são crianças que estão disponíveis para adoção", disse Kris Faasse, vice-presidente de operações clínicas de Bethany Christian Services, uma grande agência de adoção com base em Grand Rapids, Michigan.

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Se você ainda quer saber sobre adoção em outros países, vamos explicar isso agora. Essa adoção vai depender da legislação de cada país, não há uma regra geral. Um caminho é procurar os sites das embaixadas desses países e ver quais têm informações sobre adoção de crianças. Outra opção é procurar a Comissão Estadual Judiciária de Adoção (CEJA) de seu estado, que pode ter informações sobre o assunto. Não conseguimos achar um site do governo Sírio que fale sobre adoção. Talvez as CEJAs tenham mais informações. O mais provável, no entanto, é que não exista um canal para adoção de crianças num país em guerra. Isso também vale para os países onde os sírios estão como exilados.

Mas se você ainda quer saber sobre adoção, pense no Brasil. Não temos uma guerra, pelo menos não uma guerra convencional, mas temos mais mortes violentas do que alguns países que estão realmente em guerra. Temos nossos órfãos e crianças abandonadas, e não são poucos. Nossos abrigos estão cheios delas. Poucos bebês e muitas crianças maiores, todos esperando uma chance.

Para saber mais sobre adoção no Brasil, veja nosso Roteiro para Adoção Crianças do Portal da Adoção ou apenas visite nossa seção de perguntas.