04/09/2015 16:30

Serviço Família Acolhedora oferece às crianças e aos adolescentes a experiência de convivência familiar e é uma alternativa a abrigos e casas lares


Brasília, 4 – “Nós somos guardiões dessas crianças”. É assim que Raniere Lima Dias, 46 anos, define o trabalho da família acolhedora. Há 17 anos, o empresário de Campinas (SP) e a esposa Silvia Helena Ferreira Dias se inscreveram no serviço, que tem por finalidade atender crianças e adolescentes que estão em medida protetiva.

Em 1998, quando acolheram a primeira criança, a família tinha apenas um filho. Passados os anos, a família cresceu. Hoje são três filhos e dez crianças acolhidas já passaram pela vida da família Dias. “A gente tinha a ideia de adotar, mas vimos na proposta do acolhimento uma maneira mais efetiva de ajudar um maior número crianças. E isso nos motivou a entrar no programa.”

Rogério Capela/PrefCampinas

Uma das principais tarefas da Família Acolhedora é devolver para as crianças o sentimento de convivência e vínculo familiar. O serviço faz parte do Sistema Único de Assistência Social (Suas), que completa 10 anos este ano. Cofinanciado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), o serviço tem sido uma alternativa aos Abrigos e Casas Lares.

Solteiros ou casados podem atuar como família acolhedora. A equipe técnica do serviço, formada por psicólogos e assitentes sociais, realiza a seleção das pessoas interessadas, por meio de entrevistas e análise de documentos. A seleção levará em consideração o perfil e motivação dos interessados, verificando se estariam em condições de prestar o cuidado e proteção necessários às crianças e adolescentes. As famílias selecionadas recebem capacitação antes de estarem aptas a acolherem uma criança ou adolescente.

As crianças são indicadas ao serviço de Família Acolhedora por orientação da Justiça. Geralmente, elas foram afastadas dos pais biológicos por terem sido vítimas de negligência, violência, drogas ou abusos. A definição de qual família acolhedora irá acolher cada criança é definida pela equipe técnica do serviço, de acordo com o perfil da criança e do acolhedor. A equipe acompanha o caso até o retorno da criança à família de origem ou sua ida para uma família adotiva, conforme determinação judicial.

Os acolhidos passam a seguir a rotina da nova família. Assim como os filhos de Raniere e Silvia, eles vão à escola e ajudam nas tarefas da casa. O carinho e atenção se tornam recorrentes. “Normalmente as crianças chegam com sequelas. Elas estão fragilizadas e com medo por terem sido por alvo de violência física ou psicológica ou outras diversas situações”, avalia o empresário.

Há casos de crianças que se retraem e necessitam de estimulo para aprender a se comunicar. O papel da Família Acolhedora é ajudar a desenvolver os potenciais dessas crianças e devolver a elas a convivência com a sociedade. Por isso, o acompanhamento e apoio permanente da equipe técnica é importante.

Divulgação/Serviço de Acolhimento de Campinas


As equipes desenvolvem treinamentos e acompanhamentos psicológicos periódicos para estas famílias. Os temas de discussões são variados, mas a principal questão tratada nos encontros é o sentimento de posse. Hoje, existem 1.433 famílias cadastradas em 315 cidades.

O serviço não é uma adoção e as famílias devem saber que o trabalho delas é cuidar, proteger e acompanhar o desenvolvimento da criança enquanto elas aguardam a decisão da Justiça sobre o seu futuro. O tempo máximo de permanência das crianças na família acolhedora é de dois anos, como prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), podendo ser prorrogado por decisão judicial. “Nós somos movidos a atingir o objetivo do acolhimento, que é o retorno da criança ao grupo familiar”, explica Raniere.

Para muitos o momento da separação pode ser doloroso, mas, para uma família acolhedora, prevalece o sentimento de que valeu a pena. “E depois de tanto tempo de acolhimento, a gente percebe que aprendemos muito mais com aquelas crianças. E talvez seja esse o motivo que eu e minha esposa não saímos desse programa.”

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