Este texto fala sobre como uma Vara da Infância procura uma família para uma criança. Mas antes vamos esclarecer dois enganos frequentes: que o objetivo da Vara da Infância é achar crianças para as famílias e que todas as crianças no abrigo estão disponíveis para adoção.
O primeiro é sobre o objetivo desse trabalho.


Procurar uma família para uma criança não é a mesma coisa de procurar uma criança para uma família. Às vezes pensamos que são dois lados da mesma moeda, mas não é verdade.
O Estado tem um compromisso de ajudar quem está desamparado, a criança. Este é um dos objetivos das Varas da Infância. Quanto às famílias, o Estado e toda a sociedade são solidários às famílias que querem um filho, mas não têm compromisso com elas, nem é seu objetivo. As famílias serão beneficiadas como consequência da ação de resolver o problema de uma criança abandonada e desprotegida.
O segundo engano é pensar que todas as crianças que estão nos abrigos estão disponíveis para adoção. Muitas foram retiradas de suas famílias, mas voltarão para essas algum dia. Outras já estão sendo adotadas, mas ainda estão no abrigo porque existe um período em que as famílias visitam as crianças, antes de as levarem para suas casas.
Esclarecido isso, vamos falar dos cadastros da adoção, que fazem parte do CNA – Cadastro Nacional da Adoção.


CNA – Cadastro Nacional da Adoção
As crianças entram para o cadastro de adoção quando perdem ou são retiradas de suas famílias. Cada município tem uma realidade diferente dos demais. Em alguns há tão poucas crianças que mal podemos falar em cadastro.
O outro lado do CNA são as famílias que se inscrevem para adoção. O conceito de família aqui tem um sentido amplo. Na verdade é qualquer adulto que atenda aos requisitos da lei. Em alguns casos são famílias grandes, com pai, mãe, irmãos, tios e primos; em outros pode ser uma família formada apenas por uma mãe, ou apenas um pai. Há ainda os novos arranjos familiares com de duas mães ou dois pais. O que os identifica é que se inscreveram para adoção. Ao fazerem essa inscrição essas famílias definiram o perfil da criança que esperam adotar, incluindo idade, cor, sexo, número de irmãos, etc.
A Vara da Infância vai então juntar as duas listas, a das crianças e das famílias que querem adotar. Inicialmente trabalha-se com a lista de famílias apenas da comarca. Com os dados da criança cadastrada, começa-se a procurar uma família. Se a criança não se encaixar no perfil da primeira família, verifica a segunda família, a terceira família, etc. Repete isso até achar uma família que queira aquela criança.
A Vara da Infância nem sempre acha uma família no cadastro do município, então passa ao cadastro nacional. Novamente procura-se uma combinação entre as características da criança e o perfil definido pelas famílias.
Mesmo no cadastro nacional, a Vara não encontra família para muitas crianças. Nessa hora começam a ser consideradas alternativas.


Busca Ativa
A Busca Ativa consiste em uma rede de comunicação informal entre as Varas da Infância e grupos de apoio à adoção. Nela as Varas da Infância divulgam as informações de crianças entre si, em busca de uma família. Se uma Vara da Infância tiver uma família que atenda as necessidades, entra em contato.


Adoção Internacional
Na adoção internacional, a Vara da Infância estende a busca a organizações internacionais reconhecidas pelo governo brasileiro. Elas possuem listas de famílias em vários lugares do mundo.


Visita acompanhada
São visitas aos abrigos, onde famílias podem conhecer algumas crianças. Mas essas são apenas as crianças que não conseguiram achar uma família no cadastro do município, no cadastro nacional ou na busca ativa.


Essas alternativas não tem uma ordem específica, a Vara irá decidir o que fazer e em que ordem. Muitas Varas não fazem a busca ativa ou a visita acompanhada porque não tem pessoal, ou porque não consideram isso uma prioridade.
Encerradas todas essas alternativas, se nenhuma família for encontrada, a criança continua no cadastro para adoção, caso uma nova família entre no cadastro com seu perfil.
É assim que a Vara da Infância procura famílias para as crianças.