Quem quer adotar não pode comprar crianças. 

Às vezes a compra é disfarçada como auxílio, ajuda e outros nomes que tentam justificar a troca de dinheiro por um filho. Este não é um caminho seguro para a adoção, nem para a criança nem para a família.

A venda de crianças existe no Brasil. É um mal terrível para as crianças, mas também para as famílias.

Intermediários, amigos, conhecidas, etc. São estes os nomes usados por pessoas que dizem conhecer uma criança cuja mãe quer dar para adoção. Para a família adotante prometem uma criança perfeita, às vezes recém-nascida. Para a mãe, prometem que acharão uma boa família para seu filho. Mas a realidade não é essa.

As famílias podem ficar sem a criança e sem o dinheiro. Podem ser acusadas de sequestro ou serem chantageadas pela mãe, pela família desta ou por alguém que simplesmente conheça a história. Há muitas histórias. As mais inocentes são de crianças vendidas, muitas vezes pela própria mãe, ainda grávida, a três famílias ao mesmo tempo. Na hora do nascimento, essa mãe desaparece e vende o filho outra vez. Mas antes disso pediu uma ajuda para levar a gravidez, para o aluguel, remédios, exames, alimentação. Houve casos de mães que pediram equipamentos médicos.

Para a mãe o intermediário promete que vai achar uma boa família, rica e amorosa. Em alguns poucos casos isso acontece. Mas também há comércio sexual de crianças e até pior. Há crianças vendidas para o comércio de órgãos. Mesmo nos casos em que há realmente uma família no fim da transação, essa família não será acompanhada pela Vara da Infância. Aliás nem pela Vara, nem pela mãe biológica e muito menos pelo intermediário que sempre desaparece assim que recebe o dinheiro.

Geralmente os intermediários dizem que fazem essa intermediação para ajudar as crianças. Dizem que elas vão ficar abandonadas nos abrigos por anos. Isso não é verdade. Crianças pequenas ficam pouco tempo nos abrigos, há uma longa lista de famílias esperando por elas. Famílias que foram avaliadas pela Vara da Infância. Essas crianças poderiam ir para a fila de adoção e seriam adotadas rapidamente, e fariam a fila andar mais rápido. Mas o intermediário está interessado apenas no dinheiro, sem ligar para a família ou para a criança.

Há vários tipos de intermediários. Existem os profissionais que têm contato com essas mães, como médicos e enfermeiras. Em vez de encaminhar a mãe para a Vara da Infância, elas oferecem achar uma família. Existem advogados que prometem interpretações mágicas da lei para que seus clientes não precisem esperar na fila de adoção. Existem as mães das redes sociais que vendem bebês que não têm. Existem vários tipos de intermediários. Todos correm o risco de serem processados e presos, assim como as famílias que receptam essas crianças.

Receber uma criança fora da Vara da Infância é crime.

Quem compra uma criança atrasa a fila de adoção.
Quem compra uma criança ajuda o tráfico de crianças, o mesmo que alimenta o tráfico sexual e o de órgãos.
Quem compra uma criança se expõe a ser processado e preso.
Quem compra uma criança não se importa tanto com a criança.

Quem adota não compra criança