Adotar não é para todos. Ainda bem, não há tantas crianças. 

Adotar não exige mais amor, ou esforço, do que cuidar de uma criança. Exige um amor diferente.
Adotar não exige mais força ou abnegação do que cuidar de um filho biológico. É apenas diferente.


Adotar uma criança e transformá-la em seu filho não é para qualquer um.
Isso não quer dizer que as famílias que adotam são melhores, ou amam mais, ou são mais fortes. Isso significa que são diferentes, apenas isso.
Há pessoas que correm de manhã, outras vão para academia, outras não fazem exercícios. Existem vários tipos de pessoas. Há quem goste de açaí e quem não goste. Há quem goste de ler, de ficar em casa, de viajar, comer jiló, subir em árvores, pintar, escrever, ler, viajar para Fortaleza, acordar cedo, dormir tarde, etc. As pessoas são diferentes.
Pessoas que adotam não são melhores. Nós sabemos disso, conhecemos muitas delas. São apenas diferentes.
A diferença não está em querer ter filhos. Muitas pessoas querem ter filhos e amarão seus filhos. As pessoas que adotam não acham importante que seus filhos tenham o nariz do avô, os olhos do pai, o sangue da mãe. Essa é a diferença. Para algumas pessoas isso é irrelevante. Isso não faz delas pessoas melhores, apenas diferentes. Mas somos todos diferentes. As pessoas que gostam de açaí são diferentes das que não gostam. As pessoas que gostam de acordar cedo são diferentes das que não gostam.
Quem adota está preparado para ouvir o médico perguntar se há casos de diabetes na família e responder que não sabe. Está preparada para os olhares dos outros ao repararem que a criança não é da mesma cor que os pais, nem do irmão. Nem ficam chateados com isso, sabem que são uma família diferente.
Ser diferente não é ruim, nem bom. É apenas diferente.