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Tábata Morelo

 O dia em que ele chegou em casa parecia um dia de muitas horas, horas a mais. Não, não tinha nenhuma poesia nesse dia. A sensação era de violência, que tínhamos arrancado uma criança de sua zona de conforto, mesmo que o abrigo não seja o conforto que sonhamos para nossas crianças, era a zona de conforto que ele conhecia nesses seus 1 ano e 2 meses de vida. Um choro contínuo fazia os minutos irem mais lentos ainda e nossas dúvidas crescerem. Será que estamos fazendo a coisa certa? Será que a gente está precisando disso agora? A gente não estava tão feliz antes? Será que o nosso outro filho (de 1 ano e 6 meses) precisa passar por isso? Será que vamos dar conta desse, do outro e do que está na barriga?

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Há muitos modos de uma família crescer. A maioria acontece aos poucos, como uma amizade que vira namoro, depois noivado e um dia se casam. É um fio que vira barbante, de barbante se transforma em corda, e depois fica mais forte. Ao longo dessa história vão aparecendo primos, tios, avós, amigos e tudo mais. Com tempo novas relações serão construídas. Nora, cunhado, amigo da esposa, etc. Depois podem vir netos e as cordas ficam mais firmes, mais grossas.

Às vezes um filho nasce. Leva anos até falar as primeiras palavras, e outros para dizer o que pensa. São muitos anos. Nos primeiros dias somos iguais a todos os adultos que trocam fraldas. Com o tempo a criança percebe que esse adulto é diferente dos outros. É diferente para ela. Existe uma corda ligando-os eles. Às vezes isso é bom, às vezes não é, mas ficará lá para sempre. Com o tempo poderá se alongar, ganhar distância ficar quase esquecida e invisível, mas estará lá.

Mas conosco será diferente.

- Por que você não adota?

- Eu? Nãoooo. Gosto de ajudar, mas adotar é mais complicado.

Rosa ouve a resposta, mas não parece disposta a desistir tão fácil. Teresa é voluntária no abrigo, onde as duas estão nesse momento preparando uma festa junina.

- É complicado. Tem que ser aprovado, a fila demora, não é simples.

- É simples sim. A habilitação é um curso, uma entrevista e uma visita, coisa rápida. A fila, sim, demora, mas para quem quer adotar bebês. Você quer um bebê? Você tá aqui arrumando festa para bebês?

- Eu tenho duas mães.

- Não, não tem.

- Tenho sim.

- Ninguém tem duas mães. Ela é sua avó. Eu tenho uma avó. A Chica tem duas avós. Avó pode ter muitas.

- Não, eu tenho duas mães. Mães mesmo.

Nos últimos meses recebemos alguns pedidos de informações sobre como adotar crianças da Síria. Este texto é para essas pessoas, para entender o que é adoção, como adotar de países estrangeiros e porque talvez isso não seja uma boa opção.

O desejo de adotar essas crianças talvez venha das imagens que aparecem de crianças em campos de refugiados, aquelas que são chutadas por guardas de fronteiras ou as que morreram nas travessias. São imagens fortes, de um mundo ruim.

Walter Gomes de Sousa

Psicólogo e supervisor da Seção de Colocação em Família Substituta da

Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal – SEFAM/VIJ-DF

 

 

Embora não seja regra, a desistência de uma adoção é algo possível de acontecer, apesar de todos os esforços preventivos que têm sido exaustivamente adotados pelo Sistema de Justiça Infantojuvenil para que isso não ocorra. Recentemente, no âmbito do DF, foi formalizada uma inusitada desistência adotiva de uma criança de apenas 3 anos e meio de idade. Os pretensos pais adotivos decidiram "desistir" da adoção invocando algumas razões absolutamente questionáveis: a criança fazia muita birra; não aceitava adaptar-se às regras do novo ambiente doméstico; não gostava de tomar banho; demonstrava ter muito ciúme do filho biológico do casal; aparentemente trazia uma carga genética negativa, que poderia prejudicar as novas relações parentais; e, como a pior de todas as razões alegadas, a infante seria uma pequena "monstra" (sic).

O acordo (uma estória de adoção tardia)

 

Essa não é a vida que eu queria.

 

Antes eu queria minha mãe antiga, numa casa boa, cuidando de mim e de meus irmãos. Queria que ela me levasse para a escola, olhasse meus cadernos, comprasse lápis e caderno. Que brincasse comigo e me deixasse brincar com as outras crianças da rua. Queria olhar pra ela e ver como eu seria quando fosse grande, igual a ela. Isso é o que eu queria, mas não quero mais. Não aconteceu e não vai acontecer. Esperei por muito tempo e apenas coisas ruins aconteceram. Eu não quero ser ela.

Você também queria que sua filha viesse de outros jeitos, mas não deu. Queria que eu não tivesse lembranças além de você me levando ao parque. Queria olhar para mim e achar o nariz do tio e os olhos da avó, mas eu não tenho esses olhos. Queria, pelo menos, que a cor fosse a mesma. Não é.

Matéria publicada no site Aleteia em 10 de dezembro de 2015. 


Das coisas que nunca esqueci como repórter foi uma entrevista num abrigo de crianças órfãs, em Brasília. A responsável me explicou que havia casos de crianças “devolvidas” depois de adotadas, porque simplesmente as famílias desistiam. Como assim? Uma criança não pode ser tratada como uma mercadoria “com defeito” que a loja aceita de volta!

Os motivos, segundo ela, eram do tipo: “eu descobri que estou grávida, por isso não quero mais” ou “eu não imaginei que ele me daria tanto trabalho”. Fiquei muito impressionada. Imagine a cabecinha de uma criança dessas? Ela me disse ainda que crianças assim voltam para o abrigo destroçadas. É preciso um longo caminho para que elas confiem em alguém novamente. Claro que esta não é uma situação comum, mas só de saber que existe…

 

 Atualmente, mais de 500 crianças e adolescentes esperam por um lar em Santa Catarina. De outro lado, segundo o Ministério Público, 3 mil famílias desejam adotar um filho. A maioria dos candidatos, no entanto, tem preferência por crianças recém-nascidas, brancas e saudáveis, como mostrou o RBS Notícias.

André Bernardo

  • 10 maio 2016
Foto: Arquivo pessoal
Após adotar quatro irmãos, casal criou associação para receber denúncias de pessoas LGBTI que se sentiram discriminadas no processo

Em um colégio da Zona Sul do Rio, a professora de Ciências conversava com a turma sobre peixinhos, reprodução e filhotes quando, de repente, Maria Clara levantou o braço e, do alto de seus quatro anos, rebateu a explicação: "Tia, isso não é verdade! Não nasci da barriga da minha mãe. Nasci do coração dela". Na mesma hora, sua melhor amiga engrossou o coro: "Eu também, professora!".

“Oi mãe.

Me disseram que você vai passar no abrigo. Me disseram que, talvez, quem sabe, você vai passar no abrigo. Então eu estou escrevendo essa carta pra você.

Eu era a Sheila.

Agora mudou. Agora sou Teresa, que nem a santa. Vou a igreja toda semana. É bonito, grande, a gente canta. É bonito mesmo.

Tô escrevendo para dizer que tá tudo bem, não precisa se preocupar. Tenho escola e casa. Bem melhor que o abrigo. A escola tem uniforme e a professora é muito bonita. Tem muitos cadernos e livros. Eu não gosto de ler. A professora disse que quando eu aprender vai ser mais fácil. Eu não gosto. As meninas da escola são legais. Elas têm um monte de coisas e as vezes emprestam.

Eu tô bem agora. Até minha tosse passou. As vezes volta, mas é bem fraquinha. Tem um xarope que eu estou tomando e vai resolver.

Então você não precisa mais se preocupar, nem vir pro abrigo. Eu tô bem”

 

Carlos Alberto com as filhas adotadas Vanessa e Valesca

 
Há sete anos o bancário aposentado Carlos Alberto Marques de Oliveira, de 63 anos, e seu companheiro, o professor André Luiz de Souza, de 42, adotaram duas meninas negras, na época com 5 e 7 anos, e com cinco irmãos. O casal faz parte de um grupo que, remando contra a maré, vem aos poucos ajudando a mudar o quadro da adoção no Brasil, onde a preferência é por bebês brancos, saudáveis, sem deficiência e sem irmãos, fazendo emperrar uma fila onde há quase seis vezes mais candidatos a pais do que crianças à espera de adoção — são 35 mil casais para 6 mil pretendentes a uma nova família. Esta semana, o grupo foi engrossado pelos atores Bruno Gagliasso e Giovana Ewbank.

O casal famoso, pais de Titi, de 3 anos, resolveu encurtar o caminho adotando a menina na África, onde o processo durou apenas um ano. No caso das meninas Vanessa e Valesca, hoje com 12 e 14 anos, respectivamente, a adoção foi obtida no mesmo tempo. Mas Carlos reconhece que seu caso foi uma exceção.

 

Novidades.

Esses vídeos recentemente incluídos em nossa lista de vídeos sobre adoção.

2016

Adoção Legal (01) - Jornal da Record

YouTube - Data:26/02/16 - Resumo: Série "Adoção Legal". Exibição: 15 a 19 de dezembro de 2014, no Jornal da Record (TV Record).
 

Adoção Legal 02 Jornal da Record

YouTube - Data:26/02/16 - Resumo: Série "Adoção Legal". Exibição: 15 a 19 de dezembro de 2014, no Jornal da Record (TV Record).

Adoção Legal 03 Jornal da Record

YouTube - Data:26/02/16 - Resumo: Série "Adoção Legal". Exibição: 15 a 19 de dezembro de 2014, no Jornal da Record (TV Record).
 

Adoção Legal 04 Jornal da Record

YouTube - Data:26/02/16 - Resumo: Série "Adoção Legal". Exibição: 15 a 19 de dezembro de 2014, no Jornal da Record (TV Record).

Adoção Legal 05 Jornal da Record

YouTube - Data:26/02/16 - Resumo: Publicado em 26 de fev de 2016 Série "Adoção Legal". Exibição: 15 a 19 de dezembro de 2014, no Jornal da Record (TV Record).
 

RESUMO DO NOSSO PROCESSO DE ADOÇÃO DA HABILITAÇÃO À CHEGADA DA NOSSA FILHA!!

YouTube - Data:25/01/16 - Resumo: A pedido de algumas pessoas estou gravando esse vídeo com um resumo do nosso processo de adoção, desde a habilitação até a chegada da nossa filha!!

2015

O Presente- uma história de adoção (Legendado)

YouTube - Data:25/11/15 - Resumo: História de adoção, provavelmente nos EUA.
 

Adoção de irmãos (Legendado)

YouTube - Data:25/11/15 - Resumo: História de adoção de irmão, provavelmente nos EUa.

2009

 

Adoção de 4 irmãos por casal homosexual em Ribeirão Preto

YouTube - Data:21/02/09 - Resumo: Adoção de 4 irmãos por casal homosexual em Ribeirão Preto

Saindo da casa de Dona Rosa, vai a família: o casal e a pequena menina, não mais do que oito anos, segurando nas mão do pai e da mãe. Parecem tranquilos, não felizes, mas tranquilos. Seguem pelo meio da vila, na direção da rua.
- Ela acreditou? - pergunta Marildes.
Rosa olha com certo espanto.
- Claro, por que não acreditaria?
- Por que você mentiu
- Não. Eu não menti. - respondeu Rosa, contrariada.

Essa é a revista Em Discussão, produzida pelo Senado Federal. emdiscussao

 

Ela mostra a visão do congresso sobre o tema da adoção.